quinta-feira, 15 de dezembro de 2011

Survival job - fim de um ciclo 3

Apesar dos cuidados que precisam ser tomados no "survival job" eu acho que é uma experiencia totalmente válida.
Acho que o primeiro fator positivo é o dinheiro, apesar de se ganhar muito pouco nesses serviços (para os padrões brasileiros) sempre é um dinheirinho que ajuda. Outro fator é se manter ocupado, ficar em casa é muito estressante. Eu passei meu primeiro ano aqui no Canadá procurando emprego e fazendo cursos nessas agencias de apoio ao imigrante (incluindo até a Universidade de Toronto) e me arrependo muito desse tempo "perdido". O que se aprende sobre cultura canadense ou usando a palavra do momento por aqui, "soft skills" nesses cursos é muito pouco se comparado com o que se aprende no trabalho. Nesse caso a prática é muito mais importante do que a teoria.
O "survival job" tambem foi importante para conhecer melhor o Canadá. Descobrir que apesar da facilidade que é estudar aqui, muita gente não passa do grade 12 (final do colegial) por opção. E grande parte destes terminaram o colegial mas tem um nível de oitava série e olhe lá. Por outro lado tem muita gente lá no chão da warehouse com um nível cultural excelente. Muita gente lá era formado em faculdades nos seus países de origem, mas por um misto de falta de oportunidades e acomodação acabaram ficando mesmo em um trabalho mais braçal. E finalmente deu para fazer alguns amigos, que eu gostaria muito de ajuda-los a arrumar um emprego melhor mas acho que pouco posso fazer.
Da mesma forma que um canadense me perguntou porque o Brasil não aderia ao Euro já que o Brasil fica na Europa um ajudante geral estava esses dias me explicando como a invasão normanda perto do ano 1000 mudou a cultura inglesa!!!!
Tambem tive contato com pessoas das mais diferentes culturas, em sua maioria meus colegas eram indianos, jamaicanos, filipinos, trinadinos (se é que é assim que se fala quem é de Trinidad e Tobago) e tameis do Sri Lanka e acho que aprendi muito com eles. Tinha de tudo por lá, muçulmana que não usava véu, sikh que corta o cabelo, tamil cristão, indiano falando portugues fluentemente e com sotaque brasileiro, e até brasileiro com cara de alemão!!!!
Se conversava de tudo naquela warehouse, política, religião, preferencias sexuais (muita gente claramente homosexual), só exitia um tabu por lá: educação. Ninguem fala e ninguem pergunta nada sobre o estudo que cada um tem. O problema é que em média os chefes e os mais antigos na empresa tinham baixa escolaridade e o "povão" e os mais novos tinham na sua maioria faculdade. Os dois indianos "tontos" que contaram para todo mundo que eram engenheiro e médico não duraram uma semana por lá. Esse é um conselho muito importante para os brasileiros, já tinham me avisado disso antes de eu entrar na empresa, nunca comentem sobre sua formação escolar.

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