terça-feira, 2 de novembro de 2010

Um brasileirinho no país do futebol

Bom, aqui definitivamente não é o país do futebol, mas o pessoal gosta muito (afinal tem muitos filhos de imigrantes da Europa do leste) e o programa de esporte de Toronto  sempre tem aulas de como se diz por aqui, soccer.
O Eduardo está então fazendo soccer numa escola aqui perto chamada Bloordale. O primeiro comentário que eu tenho é na verdade vergonhoso. A aula que o Edu está tendo de futebol é infinitinamente superior a que eu tive na escola brasileira quando eu tinha a idade dele. Aqui, o professor ensina a parar a bola, passar, chutar, cabecear... Tudo bem que de vez em quando tem umas esquisitices como parar a bola com o joelho, mas tudo bem.
E no final da aula tem um jogo. E é aí que começa a história.
A minha família e a da Marilena são de esportistas, tinha meu pai que jogava futebol, era um ponta direito arisco, e depois acabou virando técnico (foi campeão do campeonato paulistano inter-fábricas treinando o time da empresa em que ele trabalhava), e tinha também o meu pai que gostava de atletismo, competia no exército em 100m rasos e salto em altura. E se não me falha a memória tinha também meu pai que praticava tiro ao alvo, se é que isso pode ser considerado um esporte. Bom, na verdade, tirando meu pai, a média do resto das famílias é zero em esportes.
E o Eduardo parece ter puxado a exceção, ele adora esportes, aqui ele pratica futebol, hockey e natação.
No antepenúltimo jogo de futebol, o time do Eduardo ganhou por quatro a zero. O Eduardo até jogou bem, marcou tres gols, mas o mais importante foi que o jogo foi muito tumultuado, com direito até a agressão sem bola, e o Eduardo sempre se manteve ao largo das confusões.
Na semana passada, uma formação totalmente diferentes dos times, mas com nova vitória do time do Eduardo, dessa vez por 2 a 0, agora com dois gols do Dudu.
Mas o jogo de hoje foi memóravel. O professor montou os times totalmente desequilibrados. De um lado ficou o Eduardo, um menino que joga no bumba meu boi (no linguajar futebolistico aquele jogador que chuta a bola para o lado que está virado), no gol e duas meninas!!!). Contra quatro meninos, todos bons jogadores e maiores que o Eduardo. Se configurou a tragédia, já com cinco minutos de jogo o time dos meninos vencia por 3 a 0, com direito até a um gol contra do Eduardo!!! Aí o professor vendo que o jogo tava ridículo, tinha horas que o Eduardo ficava jogando contra cinco, porque as meninas se esqueciam para que time elas jogavam, mudou o time. Colocou uma indianinha no gol (e por sinal ela fechou o gol), colocou o "bumba meu boi" na zaga e o Eduardo mais livre para puxar os contra ataques. E foi num rápido contra ataque que a uns tres minutos do final o Eduardo conseguiu descontar o placar. Um minutos depois, pegando um rebote de um chute na trave que ele mesmo tinha dado o Eduardo fez 3 a 2 e aí o jogo pegou fogo. Até que faltando 30s o Edu conseguiu roubar a bola na defesa e deu um lançamento na frente para ele mesmo, com tres meninos correndo atrás dele. Ele foi dominando bem a bola, e teve muita calma só para deslocar o goleiro. E aí correr para a comemoração com a sua indefectível comemoração com os braços para cima. Até eu, um dos únicos pais que se mantém calmo e sem gritar durante o jogo, gritei, rs.

3 comentários:

  1. Nossa que legal....
    Mas falando da história esportista da família, o nosso pai era vice-campeão de tiro do exército, campeão de salto de altura, campeão de 100 ms rasos, jogador de futebol muito bom, tendo inclusive jogado no 11 patriotas, um time só de negros, (no qual ele só conseguiu jogar porque apesar de branco era muito bom), técnico e também formado em juiz de futebol pela federação paulista. Já a nossa mãe tem uma carreira mais modesta, porém também com suas glórias: era a melhor corredora de velocidade de Corupá. Aliás, qualidade esta que ela passou para a filha, no caso eu, que ganhava todas as corridas (também de velocidade) da escola. Pena que quase nunca tinha corrida, pois a professora preferia dar uma bola para as alunas jogarem queimada ou outro jogo qualquer de "corpo-a-corpo" (que eu odiava e era péssima). Ah...e você era um excelente beque de futebol, pena que aos 9 anos tinha que jogar com "repetentes" de 1,80. Resumindo, nós dois fomos "induzidos" pela escola à odiar esportes.

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  2. Parece que pulou uma geração, parabéns pelo Edu, senti a emoção em ler a sua narração da partida.
    Bjkas, Eliane

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  3. Que sirva de inspiração pra Gabriel :D
    Go, Dudu, go!

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