quinta-feira, 18 de março de 2010

Sharing experiences

Hoje assisti uma palestra (no curso da U of T) de uma médica imigrante como nós. Ela teve um início muito difícil aqui no Canadá, não falava, segundo ela, uma palavra em ingles e logo foi para o survival job (trabalho perigoso deveria ser, porque ela disse que hoje ela fica muito alegre de ainda ter dez dedos nas mãos!!!). Depois de uns dois anos ela resolveu estudar ingles (ela me pareceu ser muito inteligente, o ingles dela por sinal, hoje, é perfeito) e entrou em um curso em um college para ter educação canadense (pelo que ela deu a entender esses cursos em colleges são muito fáceis, mas valem muito por aqui). Terminado o college ela fez a decisão da vida dela, abandonar por completo a profissão de médica e entrar em um "survival job" um pouco mais nobre. Hoje ela é vendedora em uma grande indústria farmaceutica.
Eu queria fazer duas perguntas para ela, a primeira porque as indústrias farmaceuticas não consideram o Canadá como um páis para investir e a segunda como ela se sentia, depois de ter estudado seis anos na melhor faculdade de medicina do país dela (que não é um país insignificante quanto a educação) e depois de ter trabalhado dez anos como médica obstetra. Mas já na primeira pergunta eu percebi que ela ficou bem desconcertada e depois não me deu mais chance de fazer a segunda, ela nem olhava mais para mim. Um colega até reclamou comigo, levanta e pergunta, mas como eu percebi que ela não queria mais papo comigo, fiquei quieto, rs. Mas para azar dela um colega afegão, acho que leu os meus pensamentos, e fez a mesma pergunta que eu ia fazer, só que de uma forma durissima.
Mas vamos as respostas.
Na primeira pergunta ela disse que para a empresa farmaceutica dela, existe a Europa Ocidental, os EUA e o resto. E o Canadá é o resto porque a população é muito pequena. Só não entendi porque a Bélgica, onde fica a sede da empresa, é um país importante, se a população é um terço da canadense. Mas mais feliz foi o comentário do meu professor, Sérgio, o Canadá só é grande em área!!!!
Na outra pergunta, que o afegão me ajudou, ela deu uma resposta muito interessante, que a princípio parece absurda, mas que é um assunto que a gente tem que pensar. Porque ela vai se esforçar para conseguir trabalhar como médica aqui, se consegue ter conforto com um survival job:. Ela até comentou, no meu (dela) trabalho atual eu não preciso fazer turnos, trabalhar a noite e atender telefonemas de grávidas prestes a ter filhos na noite de Natal. Esse conceito nem sempre é simples de ser entendido por nós brasileiros, mas é algo que temos que pensar com carinho. A única preocupação que tenho é que se todo mundo pensar assim, em algumas gerações tá todo mundo trabalhando como motorista de taxi no país e não vai ter passageiros, rs.

2 comentários:

  1. OI Sérgio
    Isso para um brasileiro é um absurdo porque é parte da nossa cultura a discriminação social, então no Brasil, uma médica ganhando salário mínimo é muito mais do que um taxista ganhando dez mil reais por mês. Ou seja, um médico só cogitaria virar taxista se tivesse seu registro cassado pelo CRM...Mas no caso dela, que não é brasileira, há o agravante de que ela não gosta de medicina. Se gostasse, acharia lindo ir ajudar um parto na noite de Natal....rs...rs...Eu vejo um exemplo todos os dias aqui do meu lado. Eu adoro geoprocessamento, então vou toda feliz fazer vários cursos, e acho muito legal os serviços que me dão. Tenho uma colega de trabalho que está fazendo tese sobre Geo e fez alguns cursos comigos. Era um horror, porque ela só ficava puxando papo durante a aula e falando mal dos professores. Um dia brigou comigo porque eu estava gostando da aula. E ela vai abandonar o doutorado porque não sabe o que escrever na tese. Ah...se eu pegasse o tema dela, eu pesquisaria e escreveria tanta coisa...Então não adianta forçar...não gosta de medicina tem que virar taxista mesmo...rs....

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  2. Eu concordo com a Eunice. Acho que o grande problema da palestrante, é que ela não gostava de medicina. Talvez eu fosse mais longe: ela não gosta de trabalhar. Trabalho pra ela significa tão somente ganhar dinheiro para poder fazer as coisas que ela gosta. Infelizmente muita gente pensa assim e trata o trabalho como "aquelas horinhas que vc perde durante o dia para ganhar dinheiro para fazer o que gosta no tempo restante".
    Acho que o nosso problema (meu e seu) é que nós temos ideologia, sonhamos com um mundo melhor que não seja movido simplesmente pelo dinheiro. Queremos fazer coisas que tenham algum significado, que possam realmente mudar alguma coisa e ainda ganhar dinheiro fazendo isso. O Brasil não era país para nós e meu medo é descobrir que o Canadá também não é, rs.
    A minha dúvida é saber se todo mundo está errado ou se os errados somos nós. Bj

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